Inicio do conteudo

Design como estratégia de negócios ganha força no Brasil

Investimentos na área é requisito essencial para empresas terem produtos e serviços de êxito, afirma Eusebi Nomen em palestra no Ciesp

Nos últimos anos, a utilização do design como ferramenta estratégica para as empresas é uma tendência nas atividades industriais, com avanço em relação à visão do design como integrador de áreas, na perspectiva da inovação e como gerador de negócios.

Devido a este crescimento e com o objetivo de apresentar e explicar o design como um grande diferencial na produção industrial e agregador de valor econômico, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil) e o Centro de Design de Barcelona (BCD), com apoio do Senai-SP, realizaram a palestra “Design como instrumento de inovação para geração de negócios”, dia 21/10, no edifício-sede do Ciesp/Fiesp.

Integração de valores

Para Eusebi Nomen, professor e diretor da Escola de Negócios da Catalunha, o design é um elemento que permite um importante resultado e melhoria da atividade empresarial. Ao definir que o design como fator de produção é a integração entre valores funcionais, emocionais e sociais, Nomen citou como exemplo as relações criadas entre os usuários do iPhone. “Um iPhone serve para falar ao telefone, tirar fotografias e mais uma série de atividades, ou seja, tem utilidades funcionais. Mas também serve para um determinado público, que vai se sentir bem tendo um celular como esse, que se identifica com ele. São utilidades emocionais. Além disso, quando usa seu iPhone, esse público é notado pelos outros de uma forma especial. Essa é uma utilidade social; como você é percebido pelos outros. Por isso, o design integra o funcional, o emocional e o social”, explicou.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1579706655

Eusebi Nomen definiu que o design como fator de produção é a integração entre valores funcionais, emocionais e sociais. Foto: Tamna Waqued

O professor Eusebi Nomen ressaltou que é fundamental investir no design: “É o mesmo princípio do processo de inovação, porque serve para dar as respostas que o usuário quer e é um requisito essencial para que uma empresa tenha produtos, mas também serviços de êxito”.

Na visão de Rolf Sitta, diretor do Departamento de Tecnologia do Ciesp, é importante que o conceito de design leve em conta a geração de valor, também, para a sociedade. Segundo ele, o design é o grande diferencial que o país pode ter nas vendas comerciais, ao agregar valor aos seus  produtos. “O Brasil, que tem problemas com a concorrência e com a questão de preços, deve optar pelo valor agregado do design e da criatividade do brasileiro, que são os dois pontos fortes que temos”, reforçou Sitta.

De acordo com Rolf Sitta, a maior parte das indústrias brasileiras fabrica componentes e são poucas aquelas que fazem o produto na íntegra, associado às necessidades do público: “A questão do design muda esse valor. Ele quebra esse paradigma, no qual a verdade é que você tem que oferecer um produto inovador, com uma tecnologia muito interessante para o seu público aliado à beleza e à funcionalidade disso”, completou.

Diretor técnico do Senai-SP, Ricardo Terra, evidenciou a importância do design como instrumento para a geração de negócios e como ferramenta que se agrega ao desenvolvimento, à competitividade e ao empreendedorismo no país. “Essa nova visão do design abre novos caminhos, novas interações e reforça esse movimento dentro do Senai-SP”, observou. Segundo Terra, hoje já estão estruturados e espalhados pelo estado 10 Centros de Design do Senai, com foco no design de moda, gráfico e de produtos.

Marco Aurélio Lobo, gerente de Inovação e Design da Apex-Brasil, afirmou que a percepção da inovação transcende a questão tecnológica e que em um grande país como o Brasil, que cada vez mais tem possibilidades de se desenvolver industrialmente, é preciso ter o pensamento e a ambição de que a inovação vai além: “É necessário integrar a questão da inovação como um grande diferencial competitivo para o país. Qualquer indústria brasileira, seja micro, pequena, média ou grande, tem condições de inovar e ganhar mercado internacional”, finalizou Lobo.

Clique aqui para ter acesso ao material apresentado na palestra.

Amanda Viana, Agência Ciesp de Notícias