Crise hídrica pode impulsionar políticas públicas, diz especialista na Fiesp/Ciesp

Marlos de Souza participou do Seminário sobre Segurança Hídrica na sede das entidades

Responsável por uma bacia hidrográfica na Austrália, Marlos de Souza compartilhou sua experiência com os participantes do Seminário de Segurança Hídrica, realizado na Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), nesta terça-feira (24/3). Segundo ele, o intenso período de seca daquele país fomentou soluções criativas e eficientes para o abastecimento.

No encontro, o diretor da Sustainable Limits Adjustment Policy and Planning Division,agência criada para garantir segurança hídrica na Austrália, falou sobre a gestão de recursos hídricos em fases de escassez.

Segundo ele, a água na Austrália é extremamente valorada, e isso é uma questão cultural, já que no Brasil não havia até então uma preocupação muito grande.

“A água é um bem econômico e deve ser tratada como tal”, disse. Souza evidenciou a importância do gerenciamento dos recursos hídricos, afirmando que sem isso “não há desenvolvimento”.

Marlos Souza, diretor de agência para abastecimento na Austrália. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

A Austrália passou por um período de seca muito grave, que ficou conhecida como a seca do milênio, que foi de 1997 até 2009 e, segundo Souza, foi possível enxergar nessa crise uma oportunidade para trazer a população, junto ao governo, para um gerenciamento hídrico.

“A forma como as pessoas entendiam os recursos hídricos mudou porque se sentiram responsáveis para gerenciar esses recursos. Além disso, por ‘enxergarem dinheiro na água’, essa consciência tornou-se ainda maior”, comentou.

Os processos de planejamento nas bacias hidrográficas em longo prazo são formulados todo ano e comparados com os anteriores, sempre em busca de melhorias, de acordo com Souza.

“A modelagem matemática faz parte do processo de gerenciamento. A água nas bacias australianas é sempre monitorada”.

Ele destacou ainda que outro ponto importante na gestão de águas da Austrália é a total transparência do governo e estados com a população, que têm acesso à quantidade de água em seus reservatórios, o que gera confiança da população em seu governo e desperta a consciência de cada um.

“Em 12 anos de seca, nunca faltou água, porque existe um planejamento a médio e longo prazo. O processo educativo do estado atingiu cada cidadão”, disse.

Souza esclareceu ainda que existe na Austrália uma regulamentação governamental que trabalha o plano de gerenciamento do uso de água nas indústrias, avaliando o uso do recurso, identificando ineficiências e oportunidades de redução de consumo.

“Há o desenvolvimento de um plano de ação para implementar atividades de conservação da água, no qual é exigido 10% de economia de água por ano a ser apresentada ao governo”, informou.

Amanda Viana, Agência Ciesp de Notícias