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COMÉRCIO EXTERIOR

Fiesp e Rádio CBN debatem os 200 anos da abertura dos portos brasileiros
Evento discutiu a entrada do país no comércio exterior e a competitividade das empresas brasileiras

Fiesp e Rádio CBN debatem os 200 anos da abertura dos portos brasileiros
 
Para comemorar os 200 anos da abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior – anunciada no dia 28 de janeiro de 1808, por dom João VI –, a Rádio CBN e a Fiesp realizaram hoje o seminário Da abertura dos portos à Organização Mundial do Comércio: a busca pela competitividade internacional.
 
O evento foi mediado pelo jornalista e âncora Heródoto Barbeiro exatamente dois séculos depois de ser autorizado ao País a livre negociação diplomático-comercial sem a mediação da Coroa Portuguesa. “Datas comemorativas nos levam à reflexão. A abertura dos portos levou o Brasil para o mercado internacional e nos remete a pensar na abertura da economia brasileira. Evoluímos bastante, mas se lembrarmos que faz apenas 50 anos que de fato nossas exportações começaram a se diversificar, concluiremos que ainda temos muito para avançar”, observou o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.
 
A mesa de discussão foi composta pelo historiador da Universidade Federal de São Carlos, Marco Antonio Villa, o coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Gilberto Dupas, e o economista e ex-ministro da economia Maílson da Nóbrega.
 
História revista
A atuação do Brasil no cenário internacional foi colocada em perspectiva pelos debatedores, tendo como ponto de partida o “passado e sua conexão com o presente”, como definiu Heródoto Barbeiro na abertura do seminário.
 
Nesse sentido, Marco Antonio Villa destacou a importância de revisar a história para que se entenda o Brasil de hoje. “O mercado externo sempre é visto com maus olhos. Isso porque exportar era tirar produtos necessários do Brasil. Temos certos mitos que a história vai derrubando”, disse ao destacar o perfil empreendedor do empresariado atual. “Estamos deixando aquela visão de que o Estado é o principal motor do desenvolvimento. Hoje, o empresário brasileiro está mais ousado.”
 
Abertura e risco hoje
Gilberto Dupas alertou para os riscos da abertura do mercado interno e criticou a falta de um projeto nacional de desenvolvimento orientado pelo Estado. “Muito se fala de os países abrirem seus mercados irrestritamente. Trata-se de uma abertura perigosa, pois se no curto prazo os países pobres podem obter alguns benefícios é no longo prazo que os mercados desenvolvidos vão lucrar com uma abertura geral. Quanto mais aberta for a economia, mais fácil será a hegemonia de corporações globais [multinacionais]. Crescimento se faz com produção [interna] forte”, considerou.
 
Já o diretor do Derex, Roberto Giannetti, apontou o descompasso entre o fato de o Brasil ser a décima economia mundial com PIB de U$ 1,3 trilhão e ocupar a 24ª colocação entre os países exportadores. “Ainda temos um grau de abertura econômica muito baixa, algo em torno de 20% do PIB”. Ele cobrou uma política macroeconômica com cortes na taxa de juros, diminuição de impostos de exportação e investimento na infra-estrutura dos portos como condições para o país atingir melhor posição externa. O diretor do Derex ponderou ao reconhecer como pontos positivos a internacionalização das empresas brasileiras – responsável por movimentar U$ 30 bilhões em 2007 – e a diversificação dos parceiros comerciais do país. “O importante é que cada vez mais as empresas brasileiras estão aprendendo a competir [internacionalmente]”, disse Giannetti.
 
Como ponto de partida para melhor integração ao sistema de comércio internacional, Maílson da Nóbrega enfatizou a necessidade de o Brasil ampliar mecanismos institucionais modernos. “O grande desafio é consolidar as instituições do capitalismo, que não prospera sem instituições, sem Estado”. Para o ex-ministro, a democracia, o sistema macroeconômico, a intolerância da sociedade com a inflação e liberdade de imprensa são fatores do desenvolvimento atingido nos últimos anos. “O Brasil criou elementos para que tenhamos condições de fazer reformas [tributária e política]”, afirmou.
 
O conteúdo do debate será transmitido no próximo domingo, dia 3 de fevereiro, das 15h às 17h pela Rádio CBN (FM 90,5 e AM 780). Também estará disponível para download no site da emissora.

 

Agência Ciesp de Notícias
Nivaldo Souza
28/01/2008

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