Coeficiente de Importação da Indústria cai no 4º tri; consumo recua 1,5%

Apesar da queda, coeficiente superou nível registrado no mesmo período de 2015, de 19%

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

 

O Coeficiente de Importação da Indústria de Transformação (CI) paulista recuou 0,3 ponto percentual, de 20,6% para 20,3%, no 4º trimestre do ano passado, na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Mesmo com a queda, ficou acima do valor registrado no mesmo período de 2015 (19%). Calculado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp, o CI acompanha a quantidade (quantum) de produtos estrangeiros consumidos no Estado.

Segundo o levantamento, a leve queda é explicada pela diminuição de 2,7% das importações no período, além de uma retração no consumo aparente de 1,5%.

Entre 20 setores analisados de outubro a dezembro de 2016, 14 registraram avanços do CI, com destaque para os segmentos de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,5 pontos percentuais), indústrias diversas (3,2 pontos percentuais) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (3 pontos percentuais).

De acordo com Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex, o número de setores cujo coeficiente de importação aumentou é uma consequência da valorização cambial. “Em 2016, a taxa de câmbio se valorizou mais de 20%. Trata-se de um subsídio ao ingresso de produtos importados no mercado doméstico. Infelizmente, é um filme que se repete e prejudica a competitividade do manufaturado nacional.”

Na contramão, outros cinco segmentos tiveram quedas. São eles: derivados de petróleo (-5,2 pontos percentuais), máquinas e equipamentos (-3,7 pontos percentuais), bebidas (-0,5 ponto percentual), produtos químicos (-0,4 ponto percentual) e produtos alimentícios (-0,4 ponto percentual). O setor de madeira se manteve estável.

No caso do CI dos derivados de petróleo, biocombustíveis e coque, a retração de 5,2 pontos percentuais corresponde a 24,7% do total importado por São Paulo. De acordo com o estudo, a contração trimestral do CI foi puxada pelo recuo de 24,4% nas importações e uma contração aparente de 8,2%. No entanto, ante os 12 meses anteriores, houve alta de 3,1 pontos percentuais, para 21,6%.

Já na análise do coeficiente de importação sobre o setor de máquinas e equipamentos houve baixa de 1 ponto percentual, para 30,7%, no quarto trimestre ante os mesmos meses do ano anterior. Na comparação trimestral, a queda foi de 3,7 pontos percentuais, puxada pelo recuo da quantidade (quantum) de importações (-14,7%) e do consumo aparente (-4,2%).
Exportações ficam estáveis

No mesmo ritmo, o Coeficiente de Exportação da Indústria de Transformação (CE) teve ligeira queda de 0,2 ponto percentual, para 19,8%, no quarto trimestre de 2016 contra o trimestre anterior. Para o Depecon e o Derex, a baixa pode ser explicada pela retração de 2,1% das exportações (quantum), enquanto a produção industrial teve retração de 1,3% na análise sobre o trimestre anterior. Ante os mesmos meses de 2015, os dados ficaram estáveis.

Neste cenário, os dez setores com avanços mais expressivos de outubro a novembro de 2016 foram máquinas e aparelhos elétricos (2,6 pontos percentuais), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (2 pontos percentuais) e veículos automotores (0,8 ponto percentual). O CE de móveis, bebidas e produtos diversos permaneceu estável, enquanto as quedas mais fortes foram dos produtos alimentícios (-1,8 ponto percentual), equipamentos de informática (-1 ponto percentual) e máquinas e equipamentos (-0,9 ponto percentual).

“A redução no coeficiente de exportações também reflete a valorização cambial. Os produtores têm que reduzir as margens das vendas à medida em que o real se aprecia ante o dólar, até um momento que a exportação se torna inviável”, afirma Zanotto.

Os produtos têxteis registraram baixa para 21,8% no quarto trimestre do ano passado, um recuo de 2,4 pontos percentuais na comparação com o mesmo trimestre um ano antes. Contra o trimestre imediatamente anterior, a queda foi de 1,8 ponto percentual. Na avaliação dos responsáveis pelo levantamento, a baixa trimestral reflete a queda de 9,4% das exportações (quantum) e o recuo de 1,9% da produção.

Finalmente, o CE de máquinas e equipamentos recuou 0,5 ponto percentual para 21,3% contra um ano antes, sob pressão do volume de exportações (-4,3%), já que a produção se manteve estável. No trimestre anterior, o nível havia sido de 22,2%.