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Brasil precisa de uma agenda para ter um rumo, afirma diretor da Fiesp no Campinas Oil & Gas

Em congresso sobre oportunidades em Petróleo e Gás, José Ricardo Roriz Coelho diz que setor precisa de investimento e pede “política de Estado forte”

A atividade econômica brasileira vivencia “improviso de dia a dia” do governo, afirmou nesta terça-feira (04/11) o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho.

Roriz participou do congresso Campetro – Campinas Oil & Gas, realizado na cidade há quase 90 quilômetros da capital paulista para explorar oportunidades de negócio do setor na região.

Durante sua apresentação sobre os impactos do Custo Brasil e da valorização do Real na cadeia de Petróleo e Gás, Roriz questionou a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em elevar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros Selic para 11,25% ao ano.

“Geralmente aumenta-se a taxa de juros para diminuir a pressão sobre as compras, frear a economia, mas não tem como frear mais. Esse ano vamos crescer menos de 1%. Não me recordo de uma situação crônica em alguns setores da economia como essa que estamos vivendo agora”, disse Roriz.

Segundo ele, a manobra do governo em elevar os juros, em meio a esforços para desacelerar a inflação, demonstra “total falta de estratégia, improviso que a gente faz a cada dia”.

“Precisamos de uma política de Estado forte. E nós, empresários, precisamos colocar cada vez mais questões como essas em discussão”, alertou.

Custo Brasil

Coordenador do Comitê da Cadeia de Petróleo e Gás (Competro) da Fiesp e do Ciesp, Roriz apresentou dados da pesquisa “Custo Brasil e a Taxa de Câmbio na Indústria de Transformação 2013”.

Uma versão atualizada do levantamento está sendo preparada para ser divulgada ainda este ano.

Segundo o indicador, o Custo Brasil – conjunto de entraves estruturais e econômicos ao crescimento– contribuiu para mercadorias produzidas pelo setor manufatureiro brasileiro ficassem 33,7% mais caras que produtos importados de países parceiros, ou seja, nações como a Alemanha, Argentina, Chile, França, e outras, que corresponderam a mais de 70% da pauta de importados no ano passado.

Na comparação com os países desenvolvidos, o diferencial de preços para um produto produzido no Brasil para um produto importado é de 29,9%. No caso dos emergentes, o diferencial do custo é de 36,9%. A pesquisa apurou ainda que o custo de produto manufaturado no Brasil é 32,3% superior ao custo de uma mercadoria da China.

Segundo os cálculos do diretor da Fiesp, o Custo Brasil por intensidade tecnológica em 2012 influenciou em um diferencial de preços para o produto brasileiro de 21,6% nos casos de baixa intensidade tecnológica. Mas nos setores de média-baixa intensidade tecnológica, o produto nacional é 39,6% mais caro que o importado.

No segmento de média-alta intensidade tecnológica, o diferencial de preço chega a 33,2%. Na indústria de tecnologia de ata intensidade, os produtos brasileiros são 36,9% mais caros.

Roriz destacou que os segmentos de tecnologia são fundamentais para a cadeia de Petróleo e Gás. E esses dados demonstram um ponto de alerta para o segmento.

“O petróleo hoje representa 10% do nosso PIB [Produto Interno Bruto] e vai representar nos próximos dez anos quase 20% do nosso PIB. Então, é um setor que precisa de investimento, de alto conteúdo tecnológico. Precisamos de uma agenda para colocar o Brasil no rumo”, concluiu.

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp, de Campinas (SP)