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Atividade industrial de SP sobe 0,3% em outubro, mas deve fechar o ano em queda de 5,4%

Segundo pesquisa da Fiesp e do Ciesp, indicador acumula perdas de 6,1% no ano

A atividade da indústria paulista ficou praticamente estável em outubro ante setembro deste ano. Segundo a pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), o indicador apresentou ligeira alta de 0,3% na série com ajuste sazonal. A previsão das entidades para o ano, no entanto, continua sendo de baixo de dinamismo do setor, podendo chegar a uma queda de 5,4% em 2014.

O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das instituições, Paulo Francini, reitera que 2014 é “um ano péssimo para a indústria”.

“A indústria de transformação está em crise e tomara que 2014 termine logo. Vamos para 2015 carregando uma esperança baseada no que não sabemos ainda”, afirma o diretor ao se referir ao novo cenário político econômico que se configura a partir de janeiro deste ano com a nova equipe econômica, encabeçada por Joaquim Levy, na Fazenda, Nelson Barbosa, no Planejamento, e Alexandre Tombini, que segue no cargo de presidente do Banco Central no próximo mandato de Dilma Rousseff.

“A nova política econômica a ser anunciada entre dezembro e início de janeiro vem sendo associada a um certo aperto para a uma economia que já está razoavelmente debilitada, com um crescimento miserável em 2014 perto de 0,1%”, avalia.

Atividade em outubro

O Indicador de Nível de Atividade (INA), medido pelo Depecon da Fiesp e do Ciesp, apurou ligeiro avanço de 0,3% na comparação mensal com ajuste sazonal, mas Francini descarta a possibilidade de recuperação da indústria este ano e também em 2015.

“Acreditamos que a possibilidade um ano bom e razoável [para indústria] é praticamente inexistente”, complementa.

Segundo a pesquisa, a performance do setor produtivo paulista registro queda de 5,7% no acumulado de 12 meses. Na comparação com outubro do ano passado, a atividade industrial caiu 5,1%.

O indicador acumula ainda perdas de 6,1% de janeiro a outubro deste ano, sendo o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em 2003, com exceção de 2009, auge da crise, quando o indicador computou baixa de 12,6%.

Entre as variáveis contidas na pesquisa, o total de vendas reais exerceu a influência mais positiva ao índice ao mostrar avanço de 2,8% em outubro versus setembro.

Na contramão, o componente das horas trabalhadas na produção e o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) registraram queda de 0,3% e 0,2 ponto percentual respectivamente na leitura mensal e com ajuste sazonal.

Entre os setores avaliados pela pesquisa, a indústria de Bebidas se destacou no campo das altas, com ganhos de 4%, puxada pelas variáveis horas trabalhadas na produção (3,2%), total de vendas reais (2,9%) e NUCI (0,7 ponto percentual), e em meio ao aumento do consumo por conta das elevadas temperaturas, sobretudo de água de mineral por conta da falta de chuva no estado.

O desempenho do setor de Celulose, Papel e Produtos de Papel também apresentou ganhos no mês, de 2,7%, em meio a influência positiva dos componentes total de vendas reais (3,2%) e horas trabalhadas na produção (2%).

Já a indústria de Artigos de Borracha e Plástico se destacou entre as perdas ao anotar baixa de 1,1% em outubro contra setembro.  A variável horas trabalhadas na produção foi a principal influência negativa do segmento com queda de 2,3% no mês.

Percepção

A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, mostrou estabilidade no mês de novembro, a 48,4 pontos contra 48,5 pontos em outubro.

Já a variável Mercado mostrou queda de quase cinco pontos, para 45,8 em novembro contra 50,2 pontos no mês anterior. O mesmo aconteceu com o componente Estoque, que ficou em 43,1 pontos em novembro versus 45,7 pontos em outubro.

A percepção quanto ao item Vendas melhorou para 53 pontos no mês passado ante 50,7 pontos no mês anterior.  Enquanto a variável Emprego também mostrou alta, de mais de dois pontos, para 47,8 contra 45,2 pontos em outubro.

De acordo com o levantamento, a percepção quanto ao componente Investimento ficou estável a 52,1 pontos contra 50,5 pontos em outubro.

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp