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‘As empresas estão sem dinheiro para investir e as famílias sem dinheiro para consumir’, diz segundo vice-presidente da Fiesp e do Ciesp em debate sobre desafios para o país

José Ricardo Roriz Coelho foi um dos convidados do Fórum Irice – Fiesp: Desafios Internos e Externos para o Novo Governo, realizado na manhã desta terça-feira (11/12)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Como olhar para os nossos problemas e melhorar o ambiente de negócios no Brasil. A meta, proposta pelo segundo vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz Coelho, no Fórum Irice – Fiesp: Desafios Internos e Externos para o Novo Governo, realizado na manhã desta terça-feira (11/12), na sede da federação, em São Paulo, deu o tom do debate. Na ocasião, Roriz apresentou um panorama de tendências e dilemas no país e no exterior nos próximos anos. O encontro foi coordenado pelo presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da casa e do Instituto de Relações Internacionais & Comércio Exterior (Irice), embaixador Rubens Barbosa.

“Podemos esperar um crescimento de renda e população na África até 2030”, disse Roriz. “E um avanço de renda per capita na Europa, com demanda maior por bens mais sofisticados”.

Já o PIB mundial, conforme o levantamento apresentado por Roriz, subirá de US$ 107 trilhões para US$ 187 trilhões em 2030. “Teremos uma população de 8,7 bilhões de habitantes no mundo”.

Entre as tendências esperadas nesse cenário futuro estão a maior demanda por alimentos, urbanização e megacidades, expansão do entretenimento e do turismo, novas tecnologias e envelhecimento da população.

“Teremos o foco em tecnologia, com o agro 4.0 e a indústria 4.0, o maior uso da robótica, por exemplo”.

Segundo Roriz, a cidade de Cingapura reúne um pouco de tudo o que está por vir. “É a cidade mais inteligente do mundo, com iniciativas inteligentes de transporte e comunicação”.

Ele destacou ainda que, com as pessoas vivendo mais, hão de querer “mais arte e diversão”. “Haverá oportunidades para games, publicidade, arquitetura e novas mídias”, disse.

Tributação e burocracia

No Brasil, conforme Roriz, as principais barreiras à competitividade e ao crescimento são a tributação, para 83% dos empresários, e a burocracia, apontada por 56% dos entrevistados em pesquisa da Fiesp sobre o tema.

Para se ter uma ideia, a rentabilidade líquida acumulada entre 2012 e 2016 em renda fixa e na indústria de transformação no país para um investimento de R$ 1 bilhão seria de R$ 556 milhões ou 55,6% no banco e de R$ 411 milhões ou 41,1% na manufatura.

Outro ponto importante a ser considerado, de acordo com Roriz, está no fato de que a renda disponível das famílias no Brasil é 14% menor que nos países com 76% do comércio brasileiro.

“As empresas estão sem dinheiro para investir e as famílias sem dinheiro para consumir”, disse. “Sem investimento e consumo, não temos como desatar esse nó”.

Um contexto no qual 61,4 milhões de consumidores estavam em situação de inadimplência em setembro.

Para seguir adiante, de acordo com Roriz, é fundamental que sejam realizadas reformas, como a da previdência.

“Além disso, temos que agregar valor aos nossos produtos”, disse. “O Brasil precisa de uma inserção internacional competitiva”.

Em tempo hábil

Fabiana D’Atri, coordenadora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, foi outra participante do debate.

“O primeiro desafio é fazer o Brasil voltar a crescer”, disse ela. “O desafio número dois é fazer o ajuste fiscal, tocar as reformas”, explicou. “Isso em tempo hábil”.

Segundo Fabiana, “empresas e famílias aprenderam a existir consumindo menos”. “O país consome hoje 5% menos do que consumia em 2014”, disse. “Há oportunidades trazidas por esse consumo reprimido”.

Nessa linha, entre os pontos a observar estão a melhora na confiança de consumidores e empresários, inflação e juros baixos, início da retomada do emprego e ociosidade da indústria, com potencial para produzir mais.

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Roriz no Fórum Irice-Fiesp: “Temos que agregar valor aos nossos produtos”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp