‘A Petrobras é uma empresa pública, não pode fazer o que quer’, diz Skaf em debate sobre conteúdo local na Fiesp

Presidente da federação participou do lançamento do Movimento Produz Brasil na manhã desta sexta-feira (16/12)

sabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As oportunidades já foram melhores. Por isso mesmo o momento é de retomar os espaços perdidos nos últimos anos. Essas foram as principais conclusões de um debate com empresários durante o lançamento do Movimento Produz Brasil, realizado na manhã desta sexta-feira (16/12), na sede da Fiesp. O presidente da federação, Paulo Skaf, foi um dos participantes da discussão, junto com o vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da entidade, José Ricardo Roriz Coelho.

Na ocasião, sete executivos apresentaram o trabalho de suas empresas, fazendo um panorama do mercado e das oportunidades com a política de conteúdo local no Brasil.

“Temos custo e qualidade de engenharia”, disse Skaf. “Vamos levar esse debate adiante e mudar a situação”, afirmou.

A análise do presidente da Fiesp foi feita após ouvir os relatos dos representantes das empresas sobre como os ganhos a partir da produção com conteúdo local diminuíram depois da crise financeira da Petrobras nos últimos anos. “A Petrobras é uma empresa pública, não pode fazer o que quer”.

 

Skaf em debate com os empresários: “Temos custo e qualidade de engenharia”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

 

Diretor de Operações da Doris Engenharia, Thiago Franco contou que a empresa francesa de engenharia chegou ao Brasil em 2006, “muito sob incentivo das oportunidades de conteúdo local”. “Temos 200 funcionários hoje, mas já chegamos a ter 350”, contou. “Em 2010 tivemos um boom com contratos da Petrobras”.

A Doris opera em áreas como engenharia submarina e nas áreas naval e de estrutura. “Temos uma engenharia competitiva e de qualidade no Brasil”, disse. “E ninguém nos supera em preço”.

Assim, segundo Franco, “é preciso combater o risco de perder a engenharia inteligente no país”. “Precisamos pensar em medidas de proteção para a engenharia local”, disse.

Presidente da Asvac Bombas Industriais, Cesar Prata tem opinião parecida. “Precisamos fazer a coisa certa e estimular a geração de empregos no Brasil”, afirmou.

Representantes da Dresser-Rand, os diretores de Serviços e de Projetos, respectivamente Eduardo Ramos e Christian Schook, também relataram que a produção da marca, no país, já foi muito maior. A companhia tem sede nos Estados Unidos.

“Já tivemos mais de 300 funcionários no auge do pré-sal”, disse Ramos. “Hoje, temos 180”.

A empresa tem uma fábrica em Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista. “Acreditamos nos planos da Petrobras de expansão das plataformas de petróleo e investimos por isso”, explicou Schook.

De acordo com o executivo, a exclusão do conteúdo local e o não lançamento de novos projetos fazem com que as empresas se questionem se vale a pena investir no Brasil. “Precisamos de plano de conteúdo local de longo prazo”, disse.

Falta de continuidade

Gerente de Infraestrutura da Saipem do Brasil, Ricardo von Hombeeck citou a “falta de continuidade” nos planos e projetos como um dos problemas nacionais. “Para trabalhar num país de forma sustentável, precisamos ter conteúdo local”, disse.

Participaram do debate ainda o gerente comercial da Caterpillar, Victor Santiago, e o diretor comercial da Tenaris/Confarb, Idarilho Nascimento.