Palestrantes apresentam perspectivas para a economia e o transporte marítimo

Marcio e Cileide coordenaram a reunião

Dois assuntos ganharam um reforço durante a Reunião do Comex, que ocorreu quarta-feira, 17 de outubro. Com a presença de Giovani Grassi, da FCL Latam Outbound, e Vinícius Monteiro, da AGK Corretora de Câmbio, a reunião debateu o cenário para o transporte marítimo e questões de câmbio com perspectivas para 2019.

O diretor de Comex do CIESP Jundiaí, Marcio Ribeiro, e a diretora adjunta, Cileide David, coordenaram o encontro. Questionado sobre o dólar, Marcio, respondeu que o ideal é o dólar parado. “O ideal é o dólar que você faz um planejamento no início do ano a R$ 4,00 e chega ao final do ano e ele está no valor que esperamos. O encontro de hoje vai no ajudar a planejar nossos esforços para 2019″, comentou.

De acordo com Vinícius, o maior problema com relação ao dólar no Brasil é a instabilidade. “Em janeiro deste ano, o dólar estava a R$ 3,30 e, em outubro, chegou a R$ 3,70, refletindo uma instabilidade muito grande provocada, principalmente, pelas reformas e cenário político”, explicou. “Estes números fez com que muitas empresas buscassem o mercado externo para exportar, aproveitando a alta do dólar. Hoje são os exportadores que estão empolgados com o mercado”, esclareceu.

Vinícius falou sobre as oscilações do dólar

4 pontos podem explicar, segundo Vinícius a alta do dólar. “A indefinição eleitoral gera corrida por dólares, a guerra comercial afeta os emergentes, a fraqueza da economia contamina os mercados e os investidores aproveitam essa incerteza para especular”, enumerou.

O cenário eleitoral influencia diretamente a reação do mercado. “Os investidores ‘escolhem’ um candidato e esperam ouvir dele as propostas ideais, o controle da inflação e a pouca intervenção na economia neste momento de indecisão governamental também influenciam a movimentação do mercado”, avaliou.

Mas nem tudo são notícias ruins. De acordo com Vinícius, a alta da moeda impulsiona a abertura de novas empresas, maior movimentação dos exportadores e readequação dos custos da matéria-prima importada. “Acredito que o cenário pós-eleições trará o controle da inflação e maior intervenção na economia, por conta do plano de governo do candidato eleito, seja ele quem for”, explicou. Para ele, é possível esperar para 2019, um aumento do fluxo de importação e inserção maior no comércio internacional. “Teremos um mercado cambial controlado com o Bacen atuando mais livremente. Sem contar que as privatizações são a única forma de reduzir a dívida interna do país”, completou a análise.

Transporte Marítimo -A tecnologia do transporte marítimo foi inventada anos anos 50. De lá para cá, o mercado vem experimentando a consolidação deste meio de transporte, com renovação da frota e navios maiores. Segundo Giovani Grassi, até 2020, devem chegar ao mercado navios com capacidade para mais de 15 mil TUs. “Em 2010, a frota com navios grandes era de 1%. A previsão para 2019 é que atinja 13% da frota”, anunciou, destacando que o novo Canal do Panamá que agora permite a navegação de navios maiores vem motivando os investimentos de armadores na América Latina.

Giovani da FCL Latam Outbound

Com navios maiores, os armadores buscam economia e mais eficiência. “Navegação é um negócio para grandes armadores, grandes investidores. Investe pesado porque tem muito medo de perder mercado”, analisou Giovani. “Este mercado enfrentou aumento dos custos operacionais nos últimos anos: esta indústria está acostumada com crescimento de 6 a 8% ano ano e nos últimos anos vem contabilizando 1 a 2%”, completou.

Giovani vê boas perspectivas para 2019 no transporte marítimo de carga: maior estabilidade nos níveis de frete, a possibilidade de contratos com bunker flutuante, e a tendência do mercado olhar para o transporte marítimo como parte da cadeia de comércio. “Acredito que as tecnologias devam impactar este mercado positivamente: as plataformas digitais vão permitir, por exemplo, fazer cotação de frete e rastrear sua carga. A simplificação da documentação no mundo todo também vai transformar o processo como um todo”, destacou.

O especialista fez algumas recomendações aos profissionais de comércio exterior. “Preocupem-se com a flexibilidade, ou seja, maximizem alternativas de embarque para suas cargas, busquem acordos de longo prazo, sempre no primeiro trimestre do ano, quando é mais fácil negociar e encontrar valores mais competitivos”, alertou.

Por conta dos feriados de novembro, a próxima Reunião do Comex será realizada dia 5 de dezembro.

Cíntia Souza – Assessoria de Comunicação – CIESP Jundiaí

Comente