1¬ļ Workshop de Meio Ambiente debate log√≠stica reversa

Marcelo Souza é diretor de Meio Ambiente do CIESP Jundiaí

“Pela Pol√≠tica Nacional de Res√≠duos S√≥lidos, todos somos geradores de res√≠duos s√≥lidos. E cada gerador √© o respons√°vel pelos seus res√≠duos at√© o final”, foi assim que especialista Daniela Mota come√ßou a sua apresenta√ß√£o no 1¬ļ Workshop de Meio Ambiente promovido pelo CIESP Jundia√≠, na quinta-feira, dia 18/10.

De acordo com a advogada, a destina√ß√£o final ambientalmente adequada inclui a reutiliza√ß√£o, a reciclagem, a compostagem, a recupera√ß√£o e o aproveitamento energ√©tico ou outras destina√ß√Ķes admitidas pelos √≥rg√£os competentes. “Importante destacar que as normas operacionais espec√≠ficas devem ser observadas de modo a evitar danos ou riscos √† sa√ļde p√ļblica, seguran√ßa e minimizar os impactos ambientais adversos”, explicou.

Entre os tipos de res√≠duos, os industriais s√£o aqueles gerados nos processos produtivos e instala√ß√Ķes industriais. “O¬†plano de gerenciamento de res√≠duos s√≥lidos √© parte integrante do processo de licenciamento ambiental do empreendimento ou atividade pelo √≥rg√£o competente do Sisnama”, esclareceu Daniela, refor√ßando sobre as responsabilidades do setor empresarial com rela√ß√£o aos res√≠duos gerados. “O setor empresarial deve investir no¬†desenvolvimento, na fabrica√ß√£o e na coloca√ß√£o no mercado de produtos: que sejam aptos, ap√≥s o uso pelo consumidor, √† reutiliza√ß√£o, √† reciclagem ou a outra forma de destina√ß√£o ambientalmente adequada;¬† cuja fabrica√ß√£o e uso gerem a menor quantidade de res√≠duos s√≥lidos poss√≠vel”, explicou.

Daniela falou sobre a política de resíduos sólidos

 

O recolhimento dos produtos e dos resíduos remanescentes após o uso, assim como sua subsequente destinação final, ambientalmente adequada, também é responsabilidade do setor empresarial.

Jorge Rocco, gerente de Desenvolvimento Sustentável do CIESP, apresentou o sistema de Logística Reversa de Embalagens que vem sendo desenvolvido pela FIESP/CIESP  para estruturar um modelo para as empresas do Estado de São Paulo, a fim de viabilizar o cumprimento das exigências das Políticas Nacional de Resíduos Sólidos, no que se refere à implantação de sistemas de logística reversa de embalagens após o uso do pelo consumidor.

O Sistema de Log√≠stica Reversa de Embalagens √© uma solu√ß√£o conjunta da ind√ļstria e do setor da reciclagem para a adequa√ß√£o √†s regulamenta√ß√Ķes com responsabilidade s√≥cio-ambiental. ‚ÄúPretendemos fomentar a ind√ļstria de reciclagem a partir de uma parceria da Fiesp/Ciesp com as empresas‚ÄĚ, esclareceu.‚ÄĚVamos utilizar parcerias estrat√©gicas, tecnologia, transpar√™ncia e escala para reduzir os custos sist√™micos‚ÄĚ, anunciou Jorge Rocco.

Jorge Rocco, do CIESP

De acordo com o gerente do departamento de Desenvolvimento Sustent√°vel do CIESP, os operadores dependem do pre√ßo dos materiais recicl√°veis, deixando o neg√≥cio¬† pouco lucrativo e de dif√≠cil expans√£o. ‚ÄúO certificado de reciclagem traz uma fonte de receita adicional para as operadoras possibilitando novos investimentos e aumentando oferta de materiais recicl√°veis‚ÄĚ, explicou. ‚ÄúO rastreamento e a certifica√ß√£o v√£o permitir o pagamento pelo fornecimento em forma de servi√ßo, diminuindo o custo da compra de mat√©ria prima reciclada‚ÄĚ, destacou o gerente.

Bruno Igel, da Wise Pl√°sticos, levantou a quest√£o do res√≠duo do ponto de vista da destina√ß√£o. que, no Brasil, √© mal descartado. “N√£o h√° apoio para investimentos em aterro sanit√°rio no Brasil, como v√£o investir em separa√ß√£o do lixo?”, questionou. Bruno acredita que a reciclagem n√£o √© mais efetiva por conta de um sistema de coleta ineficiente e cara. “Al√©m da carga tribut√°ria irracional e uma cadeia pulverizada, com pouca padroniza√ß√£o e de dif√≠cil rastreio, sem contar o enorme grau de informalidade”, enumerou.

Bruno Igel, da Wise Pl√°sticos

Bruno trouxe n√ļmeros alarmantes. “8 milh√Ķes de toneladas de pl√°stico/ano chegam aos oceanos e menos de 5% do valor do pl√°stico √© recuperado para reciclagem. Estamos destinando para lix√Ķes e aterros um material que tem uma vida √ļtil de mais de 100 anos. N√£o faz sentido ambiental e nem economicamente falando”, lamentou.

O consumo de pl√°stico no Brasil atingiu 6,5 milh√Ķes de toneladas/ano. Destes apenas 550 mil toneladas/ano s√£o reciclados. “H√° outros sistemas que funcionam no mundo, como na Alemanha, na Espanha, no M√©xico e na √Āfrica do Sul. Modelos que tem um arcabou√ßo legal e tribut√°rio adequado e investimentos na origem ou no destino”, explicou. “A diferen√ßa entre os modelos destes pa√≠ses e o Brasil s√£o os incentivos financeiros, coleta seletiva, com pontos de entrega e investimentos no final, com separa√ß√£o no aterro sanit√°rio”, analisou. “Na Alemanha, n√£o funciona bem porque as pessoas s√£o conscientes, funciona bem porque √© caro”, completou.

O diretor de Meio Ambiente do CIESP Jundia√≠, Marcelo Souza, apresentou o case da sua empresa, a Ind√ļstria Fox, uma empresa que atua em v√°rias frentes como reciclagem, desenvolvimento de softwares, pesquisa e desenvolvimento e engenharia. “Conquistamos efici√™ncia energ√©tica na produ√ß√£o de alum√≠nio, a partir da tritura√ß√£o de geladeiras, separa√ß√£o dos materiais, uma economia de 15,54 MW/h por tonelada.

O lubrificante¬†e desengripante Fx70:10 √© o resultado da economia circular aplicada. Segundo Marcelo, ecologicamente correto, o lubrificante foi desenvolvido sob o pilar da sustentabilidade desde seu conte√ļdo at√© a embalagem. “A separa√ß√£o dos materiais √© o segredo da f√°brica de reciclagem e a tritura√ß√£o √© o cora√ß√£o da f√°brica”, ressaltou.

Marcelo apresentou tamb√©m o trabalho que vem desenvolvendo com os alunos do 3¬ļ ano do Ensino M√©dio do Sesi 409. Batizado de Seja Verde, o projeto pretende transformar o Sesi Jundia√≠¬† num ponto de arrecada√ß√£o de lixo eletr√īnico. “Estamos estruturando o projeto para que depois possa ser replicado em qualquer escola do pa√≠s”.

Cíntia Souza РAssessoria de Comunicação CIESP Jundiaí 

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