Um retrato do Brasil no comércio global

Por Vandermir Francesconi Júnior é 2º vice-presidente do Ciesp e 1º diretor secretário da Fiesp

O comércio exterior brasileiro vem batendo recordes. Entre janeiro e abril, o país atingiu os maiores valores para o período em todos os aspectos: saldo, corrente de comércio, exportações e importações desde o início da série histórica, em 1997.

O fluxo comercial alcançou US$ 182,4 bilhões no quadrimestre – soma de US$ 101,1 bilhões em exportações e US$ 81,2 bilhões em importações – e superávit na balança de US$19,9 bilhões. Esses números expressivos são resultado da elevação generalizada de preços internacionais das commodities agrícolas e minerais, segmentos em que o país é muito forte.

Neste contexto, vale olhar o desempenho do Estado de São Paulo, que respondeu por um quarto de todas as exportações e importações do país, e jogar luz em algumas localidades. Entre os destaques de exportação, está a região de Santa Bárbara d’Oeste, que registrou aumento significativo no valor embarcado de compressores e bombas de ar (US$ 64,5 milhões) para a China até abril.

Também merecem menção os exportadores de Botucatu, que venderam US$ 252 milhões de celulose no quadrimestre, reflexo dos preços internacionais mais favoráveis e também de investimentos produtivos na região. As vendas do setor automotivo do município de Itirapina e de extratos de café de Araras, por sua vez, impulsionaram o crescimento de 92,1% nas exportações da região de Rio Claro entre janeiro e abril.

Na outra ponta, o desempenho regional das importações refletiu o choque de oferta decorrente do conflito entre Rússia e Ucrânia, além do aumento disseminado dos preços. A região de Sertãozinho, por exemplo, passou a importar US$ 9,4 milhões em fertilizantes nitrogenados dos Estados Unidos, sendo que importou o equivalente a US$ 327,4 mil entre janeiro e abril do ano passado. Movimento similar ocorreu na região de Cubatão, que importou US$ 42,9 milhões em fertilizantes do tipo NPK até abril de 2022, contra US$ 3,9 milhões no primeiro quadrimestre de 2021.

O conflito afetou a oferta global de alimentos, especialmente de milho e trigo, duas das principais fontes de calorias do mundo. A redução da oferta provoca um aumento generalizado de preços entre todos os produtos alimentícios, o que deve impactar o valor das exportações brasileiras de milho e soja, sem necessariamente se traduzir em um aumento do volume embarcado. O crescimento das receitas de exportação deve contribuir para um saldo comercial positivo ao final de 2022.

Já os preços commodities minerais, como minério de ferro, que o Brasil também vende no mercado internacional, tendem a diminuir, pois alcançaram níveis inéditos no ano passado.

Vale destacar que abril registrou recorde histórico do mês na corrente de comércio (US$ 49,6 bilhões), um crescimento de 24%. Houve aumento tanto em volume de exportações quanto no preço dos produtos, que subiu praticamente 20%.

E a indústria de transformação foi a principal responsável pelo impulso do valor alcançado pelo país no mês. As vendas chegaram a US$ 14,8 bilhões – alta de 35% sobre abril de 2021, pela média diária. Os destaques foram as exportações de automóveis e aeronaves, além da carne bovina e de aves.

O cenário econômico mundial ainda é muito instável. A Covid-19 segue sendo uma preocupação, sobretudo com os lockdowns na China, a inflação alta está disseminada no mundo e o fim da guerra na Ucrânia não está no horizonte. Ainda assim, o Brasil tem vantagens competitivas. E elas não podem ser desperdiçadas.

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