Palavra do Diretor – O futuro do trabalho na indústria

O futuro do trabalho na indústria

José Francisco Caseiro
ciesp@ciespaltotiete.com.br

A indústria 4.0 já é realidade. A tendência, que em partes foi intensificada pela pandemia de Covid-19, representa o presente e o futuro do setor. Além de otimizar todo o processo industrial, trazer mais segurança e inovação, a indústria 4.0 será responsável por criar novos postos de trabalho e gerar novas carreiras. A previsão é que as tecnologias gerem 700 mil empregos na indústria de transformação na próxima década.
O setor já possui uma das mãos de obra mais qualificadas do mercado, o que resulta em uma melhor remuneração, e agora, abrirá espaço para as profissões do futuro. A previsão integra o estudo Profissões Emergentes na Era Digital: Oportunidades e desafios na qualificação profissional para uma recuperação verde, conduzido pelo Núcleo de Engenharia Organizacional (NEO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pela Agência Alemã de Cooperação Internacional, em parceria com o Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
O levantamento detectou tendências para o setor e identificou 14 carreiras em ascensão no curto (2 anos), médio (5 anos) e longo prazo (10 anos) tanto na indústria de transformação quanto nos serviços produtivos. O estudo demonstrou que a digitalização do setor poderá ser responsável por gerar 767,5 mil postos de trabalho, das 14,9 milhões de vagas, na próxima década.
Apesar de mostrar todo o potencial que poderá ser gerado, o levantamento apontou para um sério problema, a falta de mão de obra capacitada e qualificada para ocupar os novos empregos que serão gerados. Em dois anos a indústria vai precisar de 401 mil profissionais, no entanto, apenas 106 mil estarão disponíveis, o que significa um déficit de 74%.
Essa previsão pode ser enxergada de duas maneiras. Olhando o copo meio vazio, vemos uma barreira e dificuldade de avançar por causa da escassez de profissionais qualificados. Se analisar o copo mais cheio, enxergamos a oportunidade de capacitar a mão de obra existente e atrair novos talentos para a indústria.
É natural que com a modernização e automatização, se criem vagas com maior valor agregado, isto vale para as indústrias de todos os portes. Esse cenário altera os empregos e abre possibilidade para outros. Esta nova realidade, além de ser importante para o desenvolvimento do setor perante o mercado externo, também tem potencial para reduzir a desigualdade social e os recursos utilizados, além de estimular a participação de mulheres e jovens.
Para quem está pensando em se recolocar no mercado de trabalho, conquistar mais espaço ou iniciar uma carreira, vale ficar atento as profissões apontadas pelo estudo como as mais promissoras. Expert em Digitalização Industrial, Operador Digital e Profissional de Manufatura Aditiva são algumas.
Se por um lado o estudo mostra os desafios para a indústria para a próxima década, de outro, temos a solução: o Senai. A entidade é responsável por ser o principal celeiro de talentos e há décadas acompanha a evolução da indústria, atuando lado a lado e sendo uma das responsáveis por tornar o setor um dos principais, se não, o principal motor de desenvolvimento social e econômico do Brasil.
No Alto Tietê, o Senai está presente com duas unidades, em Mogi das Cruzes e Suzano. As escolas apresentam cursos em diversos níveis e para vários segmentos, sempre atentas as demandas geradas pelas indústrias da Região. Além das formações tradicionais, os serviços já têm em sua grade capacitação voltada para atender as necessidades futuras.
As duas unidades do Senai ofertam cursos relacionados à Tecnologia da Informática, bem como de Logística, Gestão, Eletrônica e outras áreas apontadas como tendências para o futuro.
Mas vale o alerta. Mesmo com importância comprovada para a formação dos trabalhadores da indústria, o Senai está correndo risco porque foi incluído na Medida Provisória que renova o programa emergencial do governo federal, um corte de 30% no Sistema S, que abrange além do Senai, o Serviço Social da Indústria (Sesi) e outras instituições vitais para a formação e educação no país.
O valor seria utilizado para financiar um programa de inclusão de trabalhadores informais no mercado de trabalho no pós-pandemia da covid-19, onde seria ofertada uma bolsa de R$ 550 para jovens de baixa renda e trabalhadores informais fazerem cursos de especialização, nos quais R$ 275 pagos pelo Sistema S e outra metade, pela empresa.
O direito a educação e capacitação são incontestáveis, mas o que não pode ser feito é descobrir um santo para cobrir outro. Este corte proposto seria responsável por fechar 400 escolas de treinamento, de acordo com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, o que é impensável quando se fala em desenvolvimento da indústria. Temos que avançar cada vez mais em educação e não retroceder, pois um país sem educação é um país sem futuro.
José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê